quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quais são os maiores erros na criação dos filhos?



"Há muitos erros na criação dos filhos, mas eu falarei apenas sobre o mais importante. Primeiro: a ideia de que seus filhos pertencem a você.

Eles vêm ao mundo por meio de você; você foi um canal de passagem, mas eles não pertencem a você. Eles não são suas posses. Com essa ideia de possessividade, muitos erros aparecem.

Quando começa a achar que eles pertencem a você, acaba reduzindo-os a objectos, porque somente os objectos podem ser possuídos, não seres humanos. É o ato mais feio que você pode cometer.

E seus filhos são tão impotentes, tão dependentes, que não podem se rebelar. Eles aceitam toda as suas decisões.

(...)

Todas as crianças nascem como uma folha em branco, um quadro vazio. Nada está escrito nelas... inocência pura.

A primeira coisa a ser lembrada é: não reduza a criança a um objecto, não se esforce para isso.

Dê individualidade a ela, não imponha uma personalidade a ela. A individualidade, ela traz consigo; a personalidade é imposta pelos pais, pela sociedade, pelo sistema educacional, pela igreja. Se você entender, não vai impor nada a seu filho, vai ajudar seu filho a ser ele mesmo.

Certamente isso é difícil. É por isso que todas as sociedades, de todas as épocas, escolheram o caminho simples: é mais simples impor alguma coisa à criança. Então ela se torna obediente, não se torna rebelde. Não causa a você problema algum, não se torna uma irritação.

Mas se você der a ela total liberdade e ajudá-la a ser livre e individual, ela poderá lhe trazer uma série de problemas. As pessoas decidiram destruir a criança em vez de aceitar os problemas.

Se você tem tanto medo de problemas, é melhor não ter um filho. Mas dar vida a uma criança e depois destruí-la só para não ter problemas é muito desumano.

As crianças são a classe de pessoas mais escravizadas da sociedade humana, as mais exploradas — e exploradas "para seu próprio bem".

Osho, em "Educando a Criança de Hoje"

sábado, 24 de julho de 2010

Cuida de ti

Este texto fez-me relembrar o princípio básico da "gentle discipline" (como podem ver explicado, de uma forma super explicita e deliciosa de ler, no livro que recomendo vivamente "Adventures in Gentle Discipline"):

Cuida de ti.

Para sermos uns bons cuidadores (e quem diz cuidadores diz quase tudo o que a isso se refere: bons pais, bons profissionais, bons maridos/esposas, bons filhos, bons amigos, bons... tudo!) temos primeiro de cuidar de nós.

E aqui fica então a partilha (espero que o Inglês seja fácil de perceber para todos):



"You must be good to yourself if you are ever going to be any good for others.

This means take a day off once in a while when it's not scheduled. Eat of piece of chocolate when it's not recommended. Take a nap when it's just not possible.

Get your face into a good book for an hour when you can't afford to. Soak in a tub when there's no time to. Stop everything when you're not supposed to. Do this now, right now, for goodness sake."

Neale Donald Walsch

sexta-feira, 23 de julho de 2010

As famosas palmadinhas...


Felizmente cada vez mais se "levantam ondas" em relação à violência usada como método...
A mim... não me convencem que estaremos mais aptos a aprender depois de termos o nosso corpo e o nosso coração em dor, por ver quem nos mais ama a usar ou abusar da força física contra nós...
Reflictamos além daquilo que nos condicionaram a pensar e a fazer!
O condicionamento é bem forte, mas existem muitas outras alternativas.
Antes de mais que compreendamos que os limites que muitas vezes necessitamos aprender a definir... são os nossos! (e não os dos nossos filhos...)

Bem hajam ***


"Dar palmada é crime, ignorância e covardia

RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br

Um tapinha, um beliscão. Que mal podem fazer? Educar é dar limites. O limite então seria o da dor? Não é sensato nem inteligente associar palmadas e beliscões à educação dos filhos. O projeto de lei assinado pelo presidente Lula na quarta-feira pune qualquer castigo físico em crianças e adolescentes. Alguns pais e mães se revoltaram. São os que se descontrolam com seus filhos. Eles não querem o Estado legislando sobre como devem se comportar em casa. Só não percebem que o tapa fraquinho um dia será mais pesado, e o beliscão deixará uma marca roxa. Isso não é amor. É mau exemplo.

Não adiantou conversar nem gritar. A criança continua fazendo malcriação. O próximo passo é bater. Onde? No bumbum. Ela chora, grita. Mais palmadas, num lugar do corpo que provoque mais dor para ela aprender. Os vizinhos ouvem, quem passa na rua se escandaliza se a cena for pública. Talvez um beliscão faça a criança parar. Ninguém sabe a partir de que idade pais estão livres para dar palmadas, beliscões, apertar o bracinho, torcer o bracinho. Com 2 anos, a criança já sabe que está desobedecendo. Tem consciência disso. Então merece. É preciso planejar também com que idade se deve parar de dar tapas. Talvez quando seu filho tiver força para revidar.

Em que momento as palmadas viram surra? Pode ser o número. Mais de cinco palmadas seguidas, quem sabe, pode se chamar espancamento. Com a mão, é palmada, mas, se pega no rosto, já vira bofetada. Pode abrir o lábio, se pegar de mau jeito. “Ah, foi sem querer.” “Perdi a paciência.” “A criança, ou o adolescente, estava pedindo.” Pais que apelam para castigos físicos precisam reconhecer que são incapazes de educar. Não fazem a menor ideia de que provocar dor só pode ser um recurso inócuo ou nocivo. Não há nenhum efeito positivo na violência contra um filho, mesmo que ela seja leve.

“Dizer como eu devo educar meu filho está fora de cogitação. Mesmo que tiver essa lei, provavelmente eu não vou cumprir”, disse na televisão o consultor de informática João Lopes Antunes.

O tapa fraquinho um dia será um beliscão ou uma marca roxa.
Isso não é amor. É mau exemplo

O objetivo do projeto de lei é garantir o direito de uma criança ou jovem de ser educado sem uso de castigos corporais, definidos como “qualquer ação disciplinar ou punitiva que resulte em dor”. Caso seja aprovado pelo Senado, pais como João Lopes serão considerados infratores se as palmadas forem comprovadas. As penas são advertência, cursos de proteção à família e tratamento psicológico. O projeto criou polêmica. Segundo muitos pais, não leva em conta que cada caso é um caso. Pessoas de bem não querem machucar seus filhos. Mas machucam, física e emocionalmente.

Sou a favor do projeto de lei – mesmo sabendo que não há como descobrir o que pais e mães fazem entre quatro paredes. Os casos que vêm a público são os aterradores, como a procuradora que espancou a menininha adotada por se negar a comer tudo. Está presa. A proposta do governo tem um mérito: provoca a discussão nas famílias, nas escolas e na mídia sobre a palmada como recurso legítimo para mostrar o certo e o errado. Com o debate, pode-se quebrar uma cadeia de violência passada de pai para filho como “exemplo de amor”. Mais ainda, de mãe para filho. No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Proteção à Infância e Adolescência, as mães são as maiores responsáveis pelas palmadas: 48,6%, em comparação a 25,2% dos pais. São elas que continuam a ficar mais tempo com os filhos.

Já dei palmadas ou “tapinhas” em meu filho mais velho, hoje com 28 anos. Eu me sentia péssima a cada vez que perdia a paciência. E até hoje me envergonho disso. Quando ele tinha 4 anos, eu o chamei e disse: “Não tente me provocar até a hora da palmada. Desista. Porque nunca mais vou encostar o dedo em você, a não ser para fazer carinho. A partir de agora, será conversa, bronca ou castigo, mas palmada não”. Essa decisão é libertadora. Não bata em seu filho nem de leve. Porque não adianta nada. Infligir propositalmente dor ou medo a uma criança que você ama é crime sim. E covardia"

Texto retirado daqui

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lançando sementes


Às vezes sentimos que o que fazemos é realmente muito pouco...
Que diferença fará?
Que contributo?
O que acrescenta à humanidade?

Mas bem... gosto de pensar que com cada gesto, cada atitude, estamos no fundo a lançar sementes.
As sementes são assim mesmo.
Lançamos uma hoje, lançamos outra amanhã. Uma aqui, outra acolá.
Mas as sementes demoram o seu tempo próprio a dar fruto.
De nada adianta ficar ali sentado a olhar para a terra. De nada adianta pensar se algo vai crescer dali. De nada adiantam ansiedades, temores, medos, inseguranças....

A única coisa que de facto fará alguma diferença... é plantar.
Mais cedo ou mais tarde a semente há-de crescer.
Vir à superficie.
E só aí... só aí poderemos de facto observar a real qualidade daquilo que plantamos.

E tu? O que escolhes tu plantar na forma como andas a lidar com os outros? Com os teus filhos, colegas, amigos... com a vida?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A não violência na educação


"O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma da habilidade de seus pais, em uma palestra proferida em junho de 2002, na Universidade de Porto Rico.

Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais, na instituição que meu avô havia fundado, e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul.
Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos; por isso minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema.

Certo dia meu pai me pediu que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo. Eu fiquei radiante com esta oportunidade. Como íamos até a cidade, minha mãe me deu uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos o dia todo, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina.
Quando me despedi de meu pai ele me disse: "Nós nos encontraremos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos".
Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo. Distraí-me tanto com o filme (um filme duplo de John Wayne) que esqueci da hora.
Quando me dei conta eram 17h30. Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai. Eram quase 18 horas.

Ele me perguntou ansioso: "Por que chegou tão tarde?" Eu me sentia mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne. Então, lhe disse que o carro não ficara pronto, e que tivera que esperar.

O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina. Ao perceber que eu estava mentindo, me disse: "Algo não está certo no modo como o tenho criado, porque você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso."

Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação. Não pude deixá-lo sozinho... Guiei por 5 horas e meia atrás dele...
Vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito.

Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria.
Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: "Se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?" Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo. Mas esta ação não-violenta foi tão forte que ficou impressa na memória como se fosse ontem.

"Este é o poder da vida sem violência".

Acid
(texto retirado daqui)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Ser-se mãe


Há aproximadamente 3 anos atrás nasci como mãe.
Mal podia imaginar o quanto esse momento seria tão profundamente transformador...

Nesse momento renasci.
Recriei-me.
E esse processo nunca mais cessou.
Acredito que esse é um parto que me acompanhará vida fora.
Enquanto cresce este ser que ajudei a trazer ao mundo, cresço eu também.
Fora... dentro... para cima.

E desse processo nasce também este blog, que abraçarei com amor enquanto assim o sentir.
Neste espaço que desejo que seja de partilha, deixarei a minha perspectiva, que é e será sempre, apenas a minha perspectiva.

Espero que seja útil a alguns!
Lancemos as sementes, a natureza encarrega-se de fazer o resto ;O)

Até já!

Cris